Manifestação em Brasília cobrou justiça tributária. Para Ricardo Berzoini, a cobrança apresenta uma distorção sem fundamento. Expectativa é que emendas à Medida Provisória 556, que tratam da isenção sejam aprovadas em abril
Nesta semana, representantes de diversas categorias de trabalhadores, como bancários, metalúrgicos, petroleiros, químicos e urbanitários, foram à capital federal cobrar o fim da incidência de Imposto de Renda (IR) na Participação nos Lucros e Resultados (PLR).
“Reforma tributária com justiça social começa com PLR sem imposto” era uma das frases exibidas na manhã de terça, 27, nas principais vias de Brasília. Enquanto para acionistas de empresas não incide imposto de renda sobre lucros e dividendos, trabalhadores recebem o desconto. Por isso, a campanha pretende corrigir essa injustiça do sistema tributário brasileiro.
O deputado federal Ricardo Berzoini (PT) tem um projeto de sua autoria em tramitação na Câmara, o PL 2581/2011, onde propõe a isenção da cobrança. “A tributação da participação dos trabalhadores nos lucros pelo imposto de renda apresenta uma distorção sem fundamento: os trabalhadores, colaboradores fundamentais para a geração de tal lucro são tributados quando percebem uma pequena parte dele, e tal tributação trata como salário o que, na verdade, é parte do lucro empresarial”, justifica.
Em Brasília, os manifestantes entregaram material explicativo sobre o tema, cobrando a votação das emendas à Medida Provisória 556, que tratam da isenção – o que deve acontecer até o início do mês de abril. “Após muitos meses de luta, esperamos ter também, até o final da semana que vem, resposta concreta do governo em relação à isenção do IR na PLR”, disse a presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo e Região, Juvandia Moreira.
A mobilização pelo fim da cobrança teve início no ano passado. Um abaixo-assinado colheu 220 mil assinaturas de trabalhadores e foi entregue, em dezembro, ao governo. “Se a PLR ficar isenta do IR, o governo deixa de arrecadar R$ 5 bilhões. Atualmente, os acionistas quando recebem dividendos ficam isentos de imposto, o que significa renúncia de R$ 16 bilhões para o governo. Queremos justiça tributária: quem ganha mais tem de pagar mais, e não menos, como está acontecendo. E no caso dos trabalhadores, o que vem para o bolso volta em forma de consumo de bens e serviços, mantendo o crescimento e consequentemente a arrecadação”, completa Juvandia.
Com informações do Sindicato dos Bancários de São Paulo e Região













